A alma (ou psique) como estrutura 'entre' o corpo e o espírito (The soul (psyque) like a structure between the body and the soul)

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A alma (ou psique) como estrutura 'entre' o corpo e o espírito (The soul (psyque) like a structure between the body and the soul)
    UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA  FACULDADE DE TEOLOGIA M ESTRADO I NTEGRADO EM T EOLOGIA  (1.º grau canónico)   MIGUEL ROMÃO RODRIGUES A alma (ou psique) estrutura “entre” o corpo  e o espírito Trabalho realizado no âmbito da Unidade Curricular de Seminário Temático: “O homem, unidade diferenciada de corpo, alma e espírito: estrutura e manifestação”.  Leccionada por: Prof. Doutor Américo Pereira Lisboa 2015  2 “É muito raro que eu note a presença da alma, mas quando acontece é sempre na forma de uma vibração que parte do coração e se irradia no corpo por poucos instantes, um clarão, um choque eléctrico, um clique de uma objectiva fotográfica que se abriu e fechou durante a fracção de um segundo, provavelmente da ilusão de também eu possuir, a despeito do meu radicado materialismo, uma chispa de espiritualidade que muitas vezes reneguei” 1 .   1  C. CASTELLANETA in G. RAVASI,  Breve História da Alma , Publicações D. Quixote, Alfragide, 2010, 278 [tradução de António Maia da Rocha].  3 Índice Introdução 4  I  –    A concepção da ‘alma’ na filosofia clássica  e medieval 5 I - O contributo da filosofia helénica 6 II - A concepção antropológica hebraica 9 III - A concepção antropológica cristã 12 II - A concepção da ‘alma’ na época moderna e contemporânea   14 II. I - A crítica kantiana e a redução antropológica 15 II. II - O materialismo antropológico e o progresso das neurociências 16 II. III - A problemática das relações corpo, alma e espírito 20 III  –    A alma como momento unificador do ‘Eu’   22 III. I - O sentido da vida humana 22 III. II - A unidade que preside ao ser-Homem 23 III. III - χ subjectividade humanaμ τ momento essencial „entre‟ corpo objectivo e espírito objectivo 24  Conclusão 25 Bibliografia 27    4 Introdução Este trabalho pretende elaborar uma breve abordagem ao tema da alma 2  (ou  psique) como estrutura “entre” o corpo e o espírito. Tomaremos como base um artigo presente na enciclopédia  Logos , da autoria do professor Doutor Joaquim Teixeira, intitulado „χlma‟, e o capítulo III do livro  Antropologia Filosófica  de Henrique Vaz, seguindo de perto o encadeamento temático proposto por estes autores. O trabalho encontra-se organizado em três capítulos distintos sendo que os dois  primeiros farão referência ao primeiro artigo referido, „χlma‟ , e o capítulo final à segunda bibliografia apresentada. No primeiro capítulo abordaremos as filosofias gregas clássicas e a concepção antropológica hebraica ainda que esta última tenha sido acrescentada em relação à proposta do professor Doutor Joaquim Teixeira. Abordaremos, seguidamente, a antropologia cristã como pensamento brotante das duas anteriormente mencionadas.  σo segundo capítulo continuaremos a história da concepção de „alma‟ ao longo da época moderna, relanceando as questões do positivismo e a problemática da tematização deste tema a partir do séc. XVII com o surgimento do empiricismo, do criticismo kantiano e do positivismo científico. Como corolário, debruçar-nos-emos no final deste capítulo sobre a questão das neurociências pela pertinência actual deste tema assim como pela importância dos avanços feitos neste âmbito para uma mais profícua compreensão da alma enquanto estrutura psíquica. No último capítulo, retomando a esfera filosófica, serão abordados os conceitos de sentido e de unidade e a sua contribuição para a postulação da „alma‟ enquanto estrutura necessária, assim como da sua relação com as restantes estruturas humanas, quer somática, quer noética. É um tema extremamente abrangente e por isso temos a consciência de que muito ficará por abordar e muito daquilo que for abordado exigiria certamente uma profundidade maior que não conseguimos atingir devido à brevidade do trabalho. Ainda assim, serão indicadas as possibilidades de estudo ulterior em relação a determinado tema nos momentos em que tal nos parecer mais pertinente. 2  Sempre que neste trabalho referirmos o étimo alma, estaremos a concebê-la enquanto alma humana e não como princípio vital como acontece na doutrina aristotélica. Quando tal não acontecer, afirmá-lo-emos de forma explícita.  5 I  –   A concepção da ‘alma’ na filosofia clássica e medieval Do ponto de vista da Antropologia Filosófica, disciplina resultante do manifesto desejo do homem, que pensa sobre si próprio, conhecer aquilo que o constitui enquanto tal, a questão da alma foi sempre sendo posta quanto à sua possibilidade, quanto à sua realidade efectiva, quanto à sua percepção e quanto à sua manifestação. Por conseguinte, vários foram os pensadores que se debruçaram sobre este mesmo problema, manifestando o desejo de aprofundar o entendimento desta realidade, sendo que os caminhos trilhados são assim bastante díspares e os resultados igualmente plurais. Atentemos ao facto de que a influência de diversas culturas, e até as diferentes formas de conceber a Transcendência e a relação que o próprio Homem estabelece com aquela, muito implicam nos alicerces que permitem o início das elaborações e construções filosóficas neste âmbito, especificamente. A própria etimologia da palavra „alma‟ revela esta mesma diversidade, manifestando, na pluralidade de vocábulos, por vezes, uma vasta possibilidade de referir realidades tão complexas. Assim, parece-nos de todo pertinente e fundamental encetar o nosso percurso filosófico justamente por aí: enunciando brevemente as principais correntes filosóficas que abordaram o tema da alma, assim como as características próprias dos contextos culturais onde estas surgiram, para que, mais do que evidenciar as diferenças manifestas entre as várias propostas, possamos encontrar pontos de contacto que nos ajudem a uma reflexão profícua sobre esta estrutura própria do homem, assim como a sua articulação com as outras estruturas que o constituem. τ étimo „alma‟ provém do vocábulo latino anima cujo masculino, animus , é a latinização do étimo grego ἄε  , que significa vento ou sopro. 3  Esta ideia refere a própria vida e o movimento que lhe subjaz, que lhe é próprio. Podemos distinguir entre o conceito de anima como espírito vital, que anima um qualquer corpo, e animus,  como princípio do pensamento, dinamismo próprio daquele que é animado, ânimo. 3   Cf. J. TEIXEIRχ, „χlma‟, in Sτ CIEDADE CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA,  Logos , I, Verbo, Lisboa, 151.
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